terça-feira, 11 de abril de 2017

A Morte

Palavra que muito assusta, que poucos gostam de falar, mas é só uma palavra e o espiritismo ajuda a entender/aceitar um pouco mais.

A morte Segundo o Espiritismo

Para a Doutrina Espírita, antes de tudo, a morte não é o fim! O significado da morte para o Espiritismo foi revelado pelos espíritos superiores a Kardec, cuja missão foi mostrar ao mundo, o que ocorre após o desencarne (morte).
Diversos outros espíritas com o médium Chico Xavier contribuíram para elucidar e mostrar que a morte é apenas uma passagem para o verdadeiro mundo, o Mundo Espiritual. Chico Xavier transmitiu diversas mensagens de espíritos para os seus familiares, consolando os que ficaram e mostrando, ao mesmo tempo, que a morte não foi um fim, mas sim o recomeço de uma outra etapa, e que eles, os entes queridos, continuam existindo e ligados aos que ficaram pelos laços da afetividade. Até porque, a vida terrestre em um corpo físico, bem como a vida no plano espiritual, em um corpo sutil, são apenas etapas para o aperfeiçoamento e o aprendizado do espírito e, ao morrermos, nossas almas continuam e vão para o mundo espiritual levando na bagagem tudo o que aprendemos nessa passagem terrena.
Além disso, cada alma é única e tem uma essência própria, ou seja, no mundo dos espíritos ela continua a ser quem sempre foi, mantendo suas características individuais de personalidade.
Fonte: Doutrina Espírita em revista.


Sem duvidas esse post está sendo o mais difícil de escrever. Cada um com suas lembranças e dificuldades, mas é por ele que faço tudo isso. Por ele que crio forças para continuar com esse blog.

Dia 01/10/2012 (1 ano após seu nascimento), a internação que parecia não ter fim, chegou ao fim depois de 10 dias. 10 dias de tensão, tristeza, desespero, noites sem dormir e sem comer. Férias que pensei poder ficar e aproveitar meu filho foram as piores da minha vida.
Henrique ficou internado na UTI Neo e lá só podiam ficar os pais, nem visitas podia receber. Não arredei o pé dali, e cada vez que ia na cantina tentar comer algo ficava com medo dele acordar, sentir minha falta, chorar, sentir algo. Fazia tudo correndo. Até que na segunda noite internado, médicos foram de madrugada fazer um punção na cabeça pois achavam que a válvula estava entupida e por isso a febre alta. Quando estes médicos entraram no leito tive uma sensação estranha. Achei eles estranhos, coisa de filme. Feito o procedimento, eles saíram do leito e foram embora. Nesta noite dormi super mal, não só pela poltrona do papai que era super desconfortável, mas pela sensação que tive. Estava preocupada! A noite foi passando e na manhã seguinte Henrique começou a passar mal, ficou com falta de ar, começou a ficar roxo. Entrei em desespero!!! Comecei a gritar pq não tinha 1 médico por perto pra contar história. Uma fisioterapeuta que estava no plantão me ajudou, chamou a pediatra que teve a audácia de dizer: é apenas soluço, mãe! Falei aos prantos: claro que não, ele tá roxo e conheço meu filho!!! Rapidamente me tiraram de dentro da UTI, pois não podia ficar ali enquanto faziam os procedimentos. Nesse tempo, só conseguia chorar e liguei para o pai que tinha ido em casa descansar um pouco e pegar umas roupas. Ele chegou desesperado e não queriam deixá-lo entrar, mas ele queria ver o filho, com razão, e que se não abrissem a porta ia ser pior. Quando entramos ele já estava em coma, entubado. A partir daí os médicos começaram a liberar as visitas. Avós, tios, amigos...
Dia após dia, morando naquele hospital, o cansaço só aumentava mas junto com ele a fé de um milagre. Mas, infelizmente não aconteceu. Todos os dias recebíamos a visita de um capelão (O capelão é um integrante voluntário da equipe multidisciplinar da fé, é uma pessoa capacitada e sensível às necessidades humanas, dispondo-se a dar ouvidos, confortar e encorajar, ajudando nos presídios, escolas, hospitais e lares, ajudando as pessoas a lutarem pela vida com esperança em Deus. Oferece aconselhamento espiritual e apoio emocional tanto aos necessitados e seus familiares, como aos profissionais distintos).
Nestes dias conversamos bastante com o capelão e ouvimos muito suas orientações e preces. Até que na noite do dia 09/10, nunca me esqueço, em uma conversa com o capelão ele falou para rezarmos (eu e o pai) e pedirmos a Deus que esse sofrimento acabasse e que o melhor deveria ser feito. Fizemos exatamente isso naquela noite. E no dia seguinte, 10 de outubro de 2012 nosso filho Henrique veio a falecer. Acreditamos que a vontade de Deus foi feita e que se ele continuasse neste mundão iria sofrer muito. Ele está num lugar muito melhor e olhando por todos nós com muito carinho.


Em um dos dias mais difíceis da minha vida, tive a certeza de ter ao meu lado pessoas verdadeiras que me ajudaram e apoiaram.


Foto: Cemitério São João Batista - Desenho feito por Henri Silva (Pai do Henrique)
"A morte nos privou do que seríamos mas nunca do que já fomos."